Uau! “Duke Nukem Forever” já está comemorando (ou não) sua segunda semana de disponibilidade nas lojas e vocês devem estar se perguntando o porquê da demora do nosso review. Bem, há dois simples motivos para isso!
O primeiro: nossos redatores praticamente se degladiaram para ver quem teria a rara honra de analisar a mais nova aventura do duque da destruição (afinal, o game é praticamente uma lenda urbana). O segundo: para resolver esta peleja épica, decidimos redigir uma análise tripla especial de “Duke Nukem Forever”.
Isso mesmo! No melhor estilo Duke, resolvemos trazer três mini análises distintas do jogo em um verdadeiro menáge-a-tróis opinativo. O jogo é de fato polêmico e foi recebido pela crítica com um misto de pessimismo descabido e crítica consciente, então nada melhor do que ter um panorama variado do que achamos do jogo aqui na redação. Vocês vão descobrir que o misto de piadas de mau gosto e gameplay old-school do título deixou marcas bem diferentes por aqui. Confira abaixo.
Flávio Barboni
Não é simples analisar um game que só não teve baile de debutante em seu desenvolvimento. “Duke Nukem Forever” começou a ser esboçado em 1996 e só agora, em 2011, chegou às mãos dos gamers, afoitos por viverem novamente a experiência de ser um rei. E chegado o dia, sentamos no trono de Duke e notamos que este é o caso típico de uma série que só existe devido ao apelo de seu protagonista.
A experiência de “DNF” é altamente centrada em Duke, sem heroísmo, dilemas ou relações afetivas complexas. O game começa exatamente onde parou em “Duke Nukem 3D”: uma batalha contra Destructor em um estádio de futebol americano. Em todos os momentos, a interatividade com o cenário é a palavra-chave. É possível urinar nos mictórios, acionar interruptores e até fazer desenhos no quadro branco do vestiário.
Logo depois, somos levados à mansão de Duke. Duas loiras com roupas mínimas, uma TV gigante, uma jacuzzi e um parque de diversões chauvinista: esta é a vida que queremos. Em “Forever”, o culto ao protagonista é o grande – talvez o único – propulsor que leva o jogador a continuar, apesar de todos os defeitos de controles, cenários externos pobres e pouco inspirados e, no geral, um título visivelmente mal acabado.
Para um jogo que levou tanto tempo para ser produzido, texturas estouradas e planos de fundo com cara de bitmaps são um grande agravante. Muitos momentos, inclusive, parecem reaproveitados das demos anteriores. E muitos poderão dizer que isso é proposital, uma forma para que o game soe mais retrô. Mas aí vemos que Duke só pode carregar duas armas, algo que só faz sentido em jogos de tiro modernos e realistas do tipo “Call of Duty”.
“Duke Nukem Forever” só é divertido para fãs do personagem, para PC gamers órfãos e para quem quer viver momentos de rockstar, tendo o mundo aos seus pés. Se suas ambições para um game envolvem segurar a mão de um amigo no precipício, nem chegue perto.
Plataformas: PC, PlayStation 3 e Xbox 360
Produção: 2K Games
Desenvolvimento: Gearbox Software / Piranha Games
Gráficos: 4
Sons: 6
Replay: 6
Jogabilidade: 5
Diversão: 5
NOTA FINAL: 5
Ronaldo D` Arcadia
“Duke Nukem Forever” não é uma obra prima, mas também não é um jogo ruim. Se você espera um “Modern Warfare malandrão” definitivamente vai se decepcionar. A experiência do game vai muito além de sua jogabilidade como shooter FPS, dando enfoque primeiramente a seu personagem e a momentos que, querendo ou não, ficam marcados em seu inconsciente.
Depois de mais de uma década entre este lançamento e a edição anterior, a trama ficou basicamente a seguinte: Duke reina no planeta que salvou tempos atrás. Ele conquistou todos os prêmios e glórias possíveis: ganhou o Oscar, títulos de luta livre, sua vida foi tema de livros, exposições de arte, museu e virou até mesmo musical. Ele é vangloriado por homens, crianças e principalmente mulheres. Mas novamente uma invasão alienígena assola a terra e Duke precisará agir, principalmente mediante os planos malévolos dos invasores: sequestrar todas as mulheres do planeta, de novo! O esquema se torna, então, muito pessoal.
Este é basicamente o roteiro de “Duke Nukem Forever”, simples e bem-humorado, politicamente incorreto e despretensioso. Assim como seu antecessor (“Duke Nukem 3D”), a história é um grande pretexto para o personagem soltar ótimas frases de efeito enquanto assassina tudo que se move. Esperar algo sério (novamente) é inútil, pois o lado cômico do título não permite seriedade e tramas elaboradas. Ele diria algo como: “isto é uma grandíssima perda de tempo, coma bala”!
Toda a produção de “Duke Nukem Forever” foi marcada por muitos imprevistos e estes quase 15 anos de peregrinação foram um verdadeiro "joga pra lá e acerta de cá" sem fim. Mudanças de estúdios, adaptações de mecânicas (e por aí vai) foram com certeza um inferno para os desenvolvedores finais. No entanto, o game saiu e o grande destaque acaba sendo o próprio personagem Duke, que, mesmo depois de todos estes problemas, aparece de forma mais que satisfatória, com seu humor ácido, clássico e de mau gosto. Como deveria ser, afinal é assim que todos se lembram dele! E é exatamente por isso que gostavam dele... pelo menos até agora.
No final, “Duke Nukem Forever” oferece puramente diversão. Os quesitos técnicos balançam em uma gangorra de ironias, pois, enquanto a jogabilidade clássica emula o feeling dos jogos de outrora (como “Doom”), a parte gráfica em outros momentos se mostra sem vida e embaçada. Isso faz você questionar sua boa visão, mas, por se limitar a algumas missões, o problema acaba não matando a experiência toda, apenas lesando.
O jogo é épico? Não, não é! Mas é memorável por oferecer momentos incríveis, como usar uma bola de demolição para abrir seu caminho na parede de um prédio, ou ser encolhido e dirigir um carrinho de controle remoto em meio à aliens gigantes, ou pular em cima de hambúrgueres para não se queimar, enfrentar ratos raivosos, desmaiar e acordar em uma casa de strip-tease procurando por uma dança particular.
Como o próprio diretor da Gearbox, Randy Pitchford, sabiamente disse: “Duke Nukem Forever é um hambúrguer gorduroso”, ou seja, parece errado e pesado para alguns, mas muita gente come com prazer. Depois de esperar no limbo por muitos anos, Duke retorna para o mercado que ajudou a desenvolver. Mas ninguém disse que seria fácil, não é? Apenas parecia.
Gráficos: 6,0
Sons: 7,0
Replay: 5,0
Jogabilidade: 6,5
Diversão: 7,0
NOTA FINAL: 7,0
Marcelo Costa
Falastrão, grosseiro, mulherengo, polêmico e chutador de bundas de invasores alienígenas. Todas essas características definem Duke Nukem como um dos anti-heróis mais queridos do mundo dos shooters. Sua fama e popularidade, porém, não deram o crédito necessário para fazer de “Duke Nukem Forever” um grande jogo.
O maior problema de “DNF” foi provavelmente sua longa história de lançamento. Com uma produção que durou 12 anos por conta de um entra e sai de equipes criativas e desenvolvedoras, a melhor definição que o jogo pode ter é a de um verdadeiro retalho – pegando uma fase de um estúdio aqui, uma ideia de outro ali e deixando tudo sem consistência alguma.
A abertura do jogo já demonstra que a intenção da Gearbox não é de superar o clássico “Duke Nukem 3D” com suas vinhetas referenciáveis e de apenas reviver o colosso que ele foi uma vez. E é ao enfrentar logo de cara o último chefe de “DN 3D” que começam os problemas. Pode ter sido uma boa sacada, mas logo torna-se enfadonho e repetitivo.
Isso serve como um aviso para o que virá pela frente. Duke Nukem nunca foi tão genérico como aqui. Suas frases de efeito logo perdem esse adjetivo. Seu level design é bem simplificado e, na maioria das vezes, não oferece desafio algum. A textura de alguns cenários também está mal acabada, com algumas partes em alta resolução e outras em baixa.
Outro ponto fraco são os inimigos, que perderam seu maior poderio: a intimidação. Tudo bem que não podemos esperar um gameplay como das séries "Call of Duty" ou "Battlefield`, mas a sensação que Forever passa é que, nem se tivesse sido lançado na sua época de ouro, ele teria se consagrado. O pior é que está tudo lá como lembramos – armamento, mulheres semi-nuas e cenários urbanos, no deserto e embaixo d`água – mas nada funciona de fato.
O único ponto alto é quando Duke está em uma boate e pode fazer diversos mini-games. Infelizmente a sequência não passa de um sonho e voltamos ao tiroteio descerebrado logo em seguida. “Duke Nukem Forever” poderia ter tomado o mesmo caminho, continuar sendo um sonho e ficar no limbo, mas acabou se tornando uma triste realidade.
Gráficos: 5,5
Sons: 5,5
Replay: 2,0
Jogabilidade: 5,0
Diversão: 6,0
NOTA FINAL: 3
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