A capital federal se prepara para receber o Festival Internacional de Cinema de Brasília, conhecido como BIFF, que se destaca por sua seleção rigorosa, com quase 900 filmes inscritos. Este festival é uma vitrine para produções que, muitas vezes, não conseguem espaço no circuito convencional.
Um dos aspectos que torna o BIFF único é seu critério de seleção, que prioriza diretores em início de carreira, limitando a participação àqueles que não tenham realizado mais de três obras. Natasha Prado, diretora executiva do festival, enfatiza a importância de dar visibilidade a novos talentos.
“É para dar oportunidade a novos diretores que ainda não tiveram a oportunidade de mostrar seu trabalho no mercado que, infelizmente, é ainda fechado. Inclusive, geralmente, esses diretores que estão começando mostram sempre suas melhores obras no início da carreira. Por exemplo, Tarantino, com Cães de Aluguel”.
O festival apresenta duas competições principais: a júnior, voltada para o público jovem, e a de longas-metragens. A curadoria mirim, que conta com a participação de jovens críticos, analisa os filmes sob uma perspectiva única, buscando obras que abordem temas relevantes e que impactem o público.
“O BIFF Júnior é voltado ao público jovem. Então nós temos uma curadoria mirim, que analisa os filmes com o olhar deles junto com a Anna Karina de Carvalho, que é a nossa diretora artística, e eles avaliam roteiro, qualidade, direção. Para que filmes juvenis tenham mais espaço, que eles não costumam ter nas salas de cinema. E a mostra competitiva, eles precisam atender essas mesmas características de qualidade. Os nossos curadores buscam filmes que impactam, que tenham temas relevantes, roteiros bons”.
Nesta edição, a produtora Gullane será homenageada, reconhecida por sua contribuição ao cinema nacional com obras como “O ano em que meus pais saíram de férias” e “Que horas ela volta?”. Natasha destaca a importância da Gullane no cenário cinematográfico brasileiro.
“A produtora Gullane, ela é uma das principais do Brasil e do cinema brasileiro, principalmente do cinema da retomada. Eles têm mais de 80 filmes e também tem muita participação em festivais internacionais, levando o cinema brasileiro para fora, além de ser pioneira em coproduções, isso é muito importante”.
O cinema brasileiro vive um momento especial, com o país sendo indicado ao Oscar por dois anos consecutivos com “O Agente Secreto” e “Ainda estou aqui”, que conquistou o prêmio na categoria Filme Internacional. Natasha ressalta a crescente visibilidade do Brasil no cenário internacional.
“É um ano muito especial. Já é o segundo ano consecutivo que o Brasil concorre a prêmios importantes no Oscar, o que dá muita visibilidade. Mas o Brasil sempre teve muita atenção internacional. Tanto que os festivais de cinema no Brasil sempre recebem muitos filmes e muitas inscrições. Então, mais do que nunca, eu acho que o Brasil está nos holofotes, estamos levando os nossos filmes para as salas no mundo inteiro e também trazendo muitos filmes do mundo inteiro para o Brasil”.
O festival também conta com a Mostra de Cinema Negro e o Encontro dos Festivais, iniciativas que visam fortalecer o audiovisual brasileiro e promover a diversidade. O Festival Internacional de Cinema de Brasília ocorrerá até o dia 3 de maio no Cine Brasília, com entrada franca.
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