A tradição do bumba boi no Maranhão se mantém viva durante todo o ano, e neste sábado (25), a capital São Luís será palco da 31ª edição do Festival de Boi de Zabumba. O evento, que terá início às 19h, ocorrerá no Largo da Antiga Barrigudeira, localizado no bairro Monte Castelo.
Este ano, o festival homenageia o Boi de Carutapera, que foi fundado em 1965, e a folclorista Therezinha Jansen, falecida em 2008. Dona Therezinha fez história ao se tornar a primeira mulher a liderar um grupo de bumba meu boi no estado, sendo responsável pelo Boi da Fé em Deus e pelo Tambor de Crioula Amor de São Benedito, ambos em São Luís.
Com a expectativa de reunir mais de 15 grupos de bumba boi, o festival contará com a participação de importantes representantes da cultura maranhense, como o Boi Brilho de São João Liberdade 2, que é o anfitrião, além do Boi da Fé em Deus, Boi da Liberdade, Boi de Guimarães, Boi de Dona Zeca e o Orgulho de Pinheiro.
História e Tradição
O sotaque de zabumba, uma das manifestações mais antigas do bumba meu boi, tem suas raízes nas fazendas e senzalas da Baixada Maranhense desde o século 18. Com o passar do tempo, diversas formas de brincar o festejo surgiram, conhecidas como sotaques, entre os quais se destacam os de matraca, zabumba, baixada, costa de mão e orquestra.
O Festival de Boi de Zabumba foi reconhecido em 2016 pelo Iphan com o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, em reconhecimento à sua importância na preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro. O bumba meu boi do Maranhão, por sua vez, foi registrado como Patrimônio Cultural do Brasil em 2011 e, em 2019, recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco.
Américo Azevedo Neto, em seu livro “Bumba Meu Boi no Maranhão”, descreve as características dos grupos de zabumba, ressaltando a manutenção dos saberes técnicos originais, como a comédia, os personagens, os toques, os cantos e as danças, além das indumentárias únicas. O ritmo é marcado pelas zabumbas rústicas, feitas à mão com madeira de mangue, e pelos pandeiros confeccionados de jenipapo, cobertos com couro. Os brincantes assumem papéis variados, como amo, indígenas, rajados, vaqueiros, palhaços, pai Francisco, Catirina e o próprio boi.
As notícias publicadas por esse autor são de fontes próprias e externas, e não representam o posicionamento do veículo.