Conheça a história do jogo de xadrez


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Embora a história do jogo de xadrez ainda guarde mistérios, sua linhagem remonta ao antigo chaturanga. O termo indiano descreve as ‘quatro divisões’ do exército: a infantaria, a cavalaria, os elefantes e os carros de combate, hoje chamados de peões, cavalos, bispos e torres.

Outro fato é que o xadrez faz parte de uma família de jogos, como shogi (japonês), xiangqi (chinês) e o makruk (tailandês). Algo que todos eles têm em comum é a vitória a partir da captura do rei e a ausência de fatores de sorte, ao contrário do que acontece caso você jogue tigre sortudo na Betfair.

      

Por que falar sobre a origem xadrez é um desafio?

Existem diversas lendas que falam sobre como o jogo viajou pelo mundo e evoluiu no xadrez que conhecemos hoje. 

Existe uma história, por exemplo, onde o rei da Índia, Devasharma, enviou um tabuleiro de chaturanga para desafiar o imperador da Pérsia, Cosroes I. Se os persas não decifrassem o jogo, eles teriam consequências catastróficas. Os persas, em especial, Bozorgmehr,  conseguem concluir o jogo e enviam outro enigma como resposta.

Fatos: rota da seda

Grande parte desse relato é de fato uma lenda, mas registros históricos mostram que o jogo indiano chegou à Pérsia através da Rota da Seda: rotas comerciais entre o Oriente e o Ocidente que aconteceram durante 1500 anos, entre o século II a.C até o fim do século XV d.C.

Durante os longos períodos em alto mar, os comerciantes trocavam cultura e conhecimentos. Um deles foi o chaturanga.

Entre os registros estão 7 peças de marfim que foram encontradas em Samarcanda, no Uzbequistão, que era também um dos pontos de encontro da Rota da Seda. As peças datam 700, d.C.

Chatrang, evolução do chaturanga

Outro fato verídico sobre a história do jogo de xadrez, é sua adaptação persa para o chatrang. A alteração do nome se dá principalmente pela pronúncia, que era considerada muito longa pelos persas. 

Além disso, os nomes das peças mudaram de acordo com a estrutura militar que o império tinha. O rei que é chamado de Rajá na Índia foi chamado de Shah, por exemplo. Tanto que a frase “xeque-mate” é derivada do “shah mat”, que significa “o rei está morto”.

Devido ao exercício mental exigido pelo jogo, o chatrang tornou-se parte da educação dos nobres e cavaleiros.  

Mas a Pérsia foi invadida

E os exércitos árabes mulçumanos ficam encantados com a cultura persa, especialmente o chatrang. Por razões também fonéticas, ele foi adaptado para “shatranj”. Outra mudança foi na abstração das peças, pois no Islã não era comum a representação de figuras humanas ou animais, com o intuito de evitar a idolatria.

Após essas mudanças, o jogo se espalhou pelo império islâmico e tornou-se uma disciplina acadêmica. Inclusive, surgiram livros técnicos e novos problemas de xadrez, categorizando o shatranj como um exercício de lógica, matemática e moral. Na Índia e na Pérsia, o xadrez tinha um caráter bélico.

Em paralelo, temos a China

Território que também participou da Roda da Seda e adaptou o jogo para “xiangqi”. Os chineses já adoravam jogos de tabuleiro e, no xadrez, encontraram uma forma de repensar suas táticas militares e sua filosofia confucionista. Confúcio pregava que a sociedade só funcionaria se cada um soubesse seu lugar e cumprisse seu papel, conceito que ressoa bastante com o próprio jogo.

O xadrez chega à Europa

Os maiores precursores do xadrez na Europa foram definitivamente os árabes, seja através de conquistas territoriais ou mesmo pelo comércio. E mais uma vez passamos pela customização do jogo de acordo com a cultura em questão.

No caso dos nobres europeus, o xadrez era visto como uma representação da sociedade feudal, até mesmo nos personagens, que representavam cada classe, como o peão era o camponês, por exemplo. Mas a comparação ia além: o jogo era uma verdadeira lição de como a sociedade feudal deveria funcionar naquela época.

A igreja, que antes não aprovava o xadrez, passou a utilizá-lo como ferramenta pedagógica no século XII e trazia metáforas, como a luta entre o bem e o mal. Inclusive, foi na europa que foram introduzidos os personagens Rainha e Bispo, refletindo as cortes europeias.

E assim, o xadrez foi se espalhando pelo mundo, até chegar na América Latina através da colonização de espanhóis e portugueses.

O primeiro torneio de Xadrez

A grande influência que a Europa teve no xadrez também permitiu que o jogo fosse concluído em bem menos tempo. Antes, demoravam-se dias para concluir uma partida. As mudanças foram basicamente na rainha e no bispo, que ganharam mais liberdade e poder no tabuleiro.

Em 1849 também houve a padronização das peças, para que pessoas de diferentes países pudessem jogar entre si. Assim como é no cassino ao vivo.

Mas foi apenas em 1851 que o xadrez passou a ser considerado esporte oficial. O primeiro torneio foi em Londres, onde os convidados foram os 16 melhores jogadores da Europa, sendo um deles Howard Staunton, um dos melhores jogadores da época. No entanto, quem venceu o torneio foi o alemão Adolf Anderssen.

Já no ano 1883, o relógio foi introduzido nos torneios de xadrez, evitando que os jogadores demorassem horas em suas partidas. O Campeonato Mundial, por sua vez, acontece em 1886. Um bom exemplo dessa dinâmica é a série O Gambito da Dama, no Netflix.

Hoje, o xadrez vive sua era mais democrática e acelerada. Se no passado era o “jogo dos reis” restrito às cortes, a modernização das regras no século XIX e a revolução digital do século XXI o transformaram em uma linguagem universal, moldando a história do jogo de xadrez.


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Redação