Com uma paleta vibrante e rica em simbolismo, Antônio Poteiro, um dos grandes nomes da arte popular brasileira, traz à tona o imaginário coletivo do país. Suas obras, que refletem a cultura e as tradições do Cerrado, estão em exibição na Caixa Cultural de Fortaleza.
Natural de Portugal e radicado no Brasil desde a infância, Poteiro, cujo nome verdadeiro é Antônio Batista de Souza, começou sua trajetória artística em São Paulo e se estabeleceu em Goiânia, onde desenvolveu seu estilo único. Conhecido por sua habilidade com a cerâmica, ele começou criando peças utilitárias, que mais tarde influenciaram suas esculturas e pinturas.
A exposição, curada por Marcos Lontra, destaca a diversidade de suas criações, que incluem cerâmicas e pinturas. Lontra comenta sobre a singularidade das obras:
“Ele nos apresenta cerâmicas, potes, como diz o nome, potes de figuras que parecem emergir da terra, para depois afluírem para o espaço bidimensional das pinturas coloridas e vibrantes, onde se une o lendário ibérico com todas as nossas tradições herdadas dos povos originários e das populações que para cá vieram escravizadas”.
Poteiro é reconhecido como um dos expoentes da arte naïf, caracterizada pela ausência de formação acadêmica e pela originalidade de suas expressões. Sua técnica, que não utiliza a perspectiva convencional, confere um efeito bidimensional às suas obras, repletas de detalhes que capturam a essência do cotidiano e das paisagens do Centro-Oeste.
O artista faleceu em 2010, mas seu legado continua vivo através de suas obras, que podem ser apreciadas na exposição “Antônio Poteiro: a Luz Inaudita do Cerrado”, que ficará em cartaz até o dia 2 de novembro, com entrada gratuita.
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