Comemorações dos Santos Cosme e Damião no Brasil: Sincretismo e Tradições


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A celebração dos santos Cosme e Damião, marcada para o dia 27 de setembro, é um evento que reflete a rica diversidade cultural do Brasil. Embora tenha raízes cristãs, a festa é profundamente influenciada por tradições africanas, especialmente nas comunidades que praticam religiões de matriz africana. O padre Carlos Augusto Cruz, da Igreja de São Cosme e São Damião, localizada no bairro da Liberdade em Salvador (BA), destaca a importância do martírio dos santos gêmeos, que é lembrado com devoção neste dia.

“A devoção aos santos Cosme e Damião foi trazida pelos portugueses e se desenvolveu através de um forte sincretismo religioso com as religiões de matrizes africanas. A Igreja Católica entende e respeita, e celebra os santos como um grande testemunho de fé.”

A historiadora e sacerdotisa da Umbanda, Mônica Barbosa, elucida a conexão entre os santos católicos e os orixás Ibejis. Segundo ela, a proibição do culto aos deuses africanos levou ao surgimento do sincretismo, onde os Ibejis, orixás gêmeos no Candomblé, passaram a ser associados a São Cosme e São Damião.

“No Brasil, os africanizados eram proibidos de cultuar os seus deuses e as suas deusas. E aí, nesse momento, que começa a existir o que chamamos hoje de sincretismo. Esse culto começa a ser transposto para os Ibejis que são orixás no Candomblé, orixás iorubás. E por Ibejis serem os orixás gêmeos, São Cosme e São Damião passaram a ser sincretizados com os Ibejis.”

Salvador (BA), 27/09/2024 - Cosme e Damião e o prato de Caruru de Cosme. Foto: Jonas Santana/Gov da Bahia
Salvador (BA), 27/09/2024 – Prato de Caruru de Cosme. – Jonas Santana/Gov da Bahia

Durante as festividades, é comum a distribuição de doces para as crianças, além do tradicional caruru, um prato de origem africana que, originalmente, é preparado com quiabo, sem carne ou pimenta, e oferecido aos Ibejis. A historiadora Mônica Barbosa explica que, ao longo dos séculos, o caruru passou a incluir balas, como a de cana e de mel, transformando-se na festa de doces que conhecemos hoje. Em algumas localidades, a tradição é de oferecer apenas doces, sem o prato de caruru.

“Lá pelo século XVII vão sendo introduzidas nesse prato as balinhas. Primeiro foi bala de cana, bala de mel, e aí foi caminhando, caminhando até ser essa festa de doces. Tem lugares que, inclusive, no dia de Cosme e Damião, se dá doces e não o prato de caruru.”

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/cultura/audio/2025-09/festa-de-cosme-e-damiao-e-celebrada-por-diferentes-religioes


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Agência Brasil

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