No coração do Rio de Janeiro, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) se transforma em um espaço de magia e alegria, onde a palhaçaria ganha vida através de voluntários dedicados. Com trajes vibrantes e sorrisos contagiantes, quatro membros da Trupe Cabeça Oca, composta por 50 voluntários, visitam a ala infantil do hospital, levando um pouco de leveza aos pequenos pacientes.
A palhaça doutora Felícia, interpretada por Verônica Montenegro, compartilha a importância desses momentos:
“Nossa, é um momento de memória afetiva muito grande quando a gente chega. Eu acho que a gente impacta, quando nós chegamos e as crianças, elas entram naquele mundo da imaginação. E é maravilhoso pra gente essa troca”, diz.
Com um ano e meio de experiência, Felícia recorda um episódio marcante:
“Uma menina, ela estava para ser atendida numa consulta. Mas ela tinha um câncer no rosto, então ela com o rosto muito inchado. Mas ela era uma menina tão alegre e ela veio, quando ela viu, ela avistou a Doutora Felícia com aquela sombrinha. Ela saiu correndo com um sorriso e os olhos brilhando. Ela falou: ‘Me empresta essa sombrinha, Doutora!’ Eu emprestei para ela, ela saiu dançando, alegre e feliz! E foi algo assim tão tocante e tão maravilhoso aquele momento. E essa troca foi a coisa mais linda que, que eu guardo comigo no meu coração”, diz.
Outra integrante, a palhaça Cuca Lelê, vivida por Roseane Saraiva, destaca a satisfação que sente ao realizar esse trabalho, mesmo após longas horas de apresentações:
“Às vezes o cansaço bate só quando chega em casa, aqui na hora não. Mas é um cansaço de missão cumprida. São duas misturas, cansaço e euforia, então vale a pena”, conta.
Ingrid Cristal, uma jovem de 18 anos que enfrenta o tratamento no Inca, expressa como a presença dos palhaços impacta sua jornada:
“Ah, ver a vida com mais esperança, mais vontade de viver. É um momento único assim, é o que que eles fazem. Ah, é muito inexplicável, porque é muito lindo”, diz.
Tamires da Costa, mãe de uma paciente, também ressalta a importância desses momentos de alegria:
“E esses momentos tornam os dias mais agradáveis aqui no hospital. Tira um pouco o foco de estar em um hospital. Isso é muito bom. Pra mim também é maravilhoso, porque ela estando bem, eu tô bem. Porque às vezes a gente vem pra cá pra receber um diagnóstico, uma notícia, e quando a gente tá naquele momento ali, distrai um pouco, tira aquele foco, aquela tensão da espera pra saber do resultado. Então é muito bom também, relata”.
As atividades lúdicas são coordenadas pelo Inca Voluntário, que busca melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Bruna Rodrigues, coordenadora do setor, explica que essas ações ajudam a tornar o ambiente hospitalar mais leve:
“Quando a gente promove essas ações aqui em parceria com essas pessoas, com essas organizações, o paciente depois ele vai para o tratamento quimioterápico ou para consulta mais leve. E a criança não deixa de ser criança, então quando ela entra aqui, ela entra nesse hospital e ainda quer brincar, ainda quer pintar, ainda quer correr um pouco de um lado para o outro. E quando a gente promove essas ações, a criança fica aqui nesse ambiente bastante entretido, não fica entediado, e quando ela entra na consulta com o médico, ela entra ali já, assim, até um pouco com a energia lá, já cansadinha, mas entra mais leve também. O próprio acompanhante já entra também um pouco mais leve”, explica.
O Inca, vinculado ao Ministério da Saúde, foi fundado em 1937 e atualmente possui quatro unidades no Rio de Janeiro, atendendo pacientes de todo o Brasil. Aqueles que desejam se envolver em ações de voluntariado podem entrar em contato com o Inca Voluntário através do site ou redes sociais.
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