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George Lucas não viu o trailer de "Star Wars" e isso é bom

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No começo dessa semana um site de notícias conseguiu falar com George Lucas e perguntou sobre o primeiro teaser de “Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força”. E, para a surpresa de muita gente, ele não havia visto ainda. A declaração é curiosa porque ele foi o responsável por criar a franquia, lá nos anos 70, o que fez o cinema se reinventar enquanto negócio, ao mesmo tempo que gerou uma legião de fãs fervorosos – algo mais ou menos inédito até então.

Lucas deu uma desculpa, alegando que está mais interessado em ver o resultado final em dezembro do ano que vem, na tela grande, sem ficar perdendo tempo com prévias feitas para a era do YouTube. Na superfície, temos uma saída até cavalheresca, já que qualquer declaração dele emitindo um juízo de valor sobre “Star Wars” pode pegar mal, por melhor que seja a intenção.

Mas, ao mesmo tempo, essa mesma declaração reforça uma impressão antiga, de que Lucas não estaria muito envolvido com o novo “Star Wars”, deixando as ideias e, principalmente, decisões, nas mãos de J.J. Abrams, que escreveu o roteiro junto de Lawrence Kasdan – um nome resgatado dos créditos da trilogia original. E isso é o melhor indício de que “O Despertar da Força” poderá ser o renascimento de um clássico.

O que muita gente não entende é que muito do melhor de “Star Wars” não vem de Lucas. Mesmo no primeiro filme, “Uma Nova Esperança”, dirigido e roteirizado por ele, muitas das ideias vieram de seu produtor, Gary Kurtz, que já havia trabalhado com ele antes em “American Grafiti”. O trabalho de Kurtz chegou ao nível de fazer a direção de atores e revisar o roteiro, limando ideias e conceitos de Lucas.

Os filmes seguintes, “O Império Contra-Ataca” e “O Retorno de Jedi”, tiveram roteiros de Kazan e foram dirigidos por Irv Kershner e Richard Marquand, respectivamente. Lucas ficou como produtor executivo, ocupado demais contando o dinheiro que ganhava com brinquedos e camisetas relacionadas à “Star Wars” (ele praticamente inventou esse modelo de negócios, em que importa mais a possibilidade de vender brinquedos do que a bilheteria).

E quando Lucas resolveu retomar o controle criativo, o resultado foi a mais recente trilogia: “A Ameaça Fantasma”; “A Guerra dos Clones”; e “A Vingança dos Sith”. Filmes recheados com Jar Jar Binks, personagens racistas, diálogos sofríveis, subtramas desnecessárias e confusas e explicações para o que ninguém perguntou, como os midichlorians serem a origem da Força. Isso para nem falar em dar uma origem meio besta (ainda que com certa carga dramática) para um dos maiores vilões do cinema.

A única coisa realmente boa dessa leva foram os mini-episódios animados “Star Wars: Clone Wars” dirigidos por Genndy Tartakovsky. Quando Lucas colocou as mãos nessas histórias e resolveu fazer “Star Wars: The Clone Wars”, em computação gráfica, o resultado foi desastroso.

Com tudo isso, e com o belo teaser divulgado, o fato de Lucas ter se tornado mais um espectador e Abrams se tornado o chefão deste universo, são grandes notícias. Quer dizer que, daqui um ano, quando estivermos às vésperas de “Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força”, a espera poderá ter valido a pena.

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