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A sobrevivência do sertanejo caipira

É Pop!

Inezita Barroso sempre foi uma defensora ferrenha da música caipira (Divulgação)

Até o momento, o ano de 2015 foi marcante para o sertanejo. A morte de três ícones de períodos musicais bem distintos – Cristiano Araújo, José Rico e Inezita Barroso – fez os amantes do gênero sentirem muito suas perdas ao perceberem que ali se encerrava um ciclo, principalmente com o falecimento, aos 90 anos, desta grande mulher que foi Inezita.

Um dos últimos bastiões do sertanejo de raiz, ela comandou o programa “Viola Minha Viola”, na TV Cultura, por 35 anos, o carro-chefe do canal, que após a sua morte sofreu com a crise vivida pela emissora, que precisou demitir cerca de 50 funcionários, mais de 20 deles ligados à atração. Além disso, a TV divulgou que irá reformular completamente o semanal, com os últimos rumores apontando para Lima Duarte como apresentador, que agora estuda com a Globo como encerrar seu contrato de 45 anos para tocar este projeto.

Diante deste panorama, muitos fãs aflitos acreditam que a cultura caipira irá morrer e estão “colocando a viola no saco”, como disse um dos trabalhadores ligados ao programa que foram demitidos.

É inegável que a influência que Inezita teve como uma defensora ferrenha da música caipira em seu estado mais puro provavelmente não se repetirá. Profunda estudiosa e conhecedora desta cultura, a apresentadora prezava pela essência do que conheceu em sua infância, época dos primórdios do sertanejo, quando Cornélio Pires começava a desbravar as regiões interioranas e rurais coletando este material, culminando na gravação da primeira moda de viola, em 1929. A família da cantora tinha amizade com o folclorista, considerado o pai do gênero, e tal contato fez com que Inezita absorvesse toda esta influência ainda muito jovem.

Mas, se Cornélio é o pai do gênero por ser responsável por trazer o caipira para o rádio, Inezita é sem dúvida a mãe, por conseguir mantê-lo na televisão. Da mesma forma que Cornélio, a paulista também adentrou pelo Brasil na década de 1960 para garimpar o país atrás destas “preciosidades” musicais escondidas, fazendo papel semelhante ao de seu antecessor para manter a cultura viva.

Precisa ficar claro que esta música “pura” se restringe a viola e violão e, com o tempo, outros poucos instrumentos foram ganhando tom nesse início. Totalmente avessa à introdução de instrumentos elétricos, como teclado e guitarra, Inezita chegou a brigar inúmeras vezes para evitar que o gênero se misturasse e se modificasse.

No entanto, é necessário ressaltar que a introdução de novos sons e ritmos nunca foi bem vista. Por exemplo: Milionário e José Rico sempre foram duramente criticados pelas gerações anteriores ao se misturarem com a música rancheira mexicana e os metais dos mariachis, que chegavam ao Brasil por meio dos faroestes.

Mesmo assim, com o tempo, algumas destas mudanças foram sendo mais aceitas, tanto que a dupla ganhou espaço para se apresentar no programa, da mesma forma que Chitãozinho & Xororó e Daniel, que conseguem dialogar com as gerações atuais e ainda assim transitar com tranquilidade por este passado rico; e frequentavam o “Viola Minha Viola”, desde que deixassem de fora as “guitarras e tecladinhos”.

Almir Sater, Renato Teixeira e Sérgio Reis são outros grandes nomes que também carregam esta raiz e continuam levando essa música caipira. Provavelmente, uma defensora do caipira tão ferrenha, uma verdadeira mãe, como Inezita, talvez não volte a surgir, muito menos o seu programa voltar a ser o que era, o que é triste.

No entanto, ela plantou suas sementes e trabalhou por anos cultivando este terreno, fazendo com que por mais que o experimentalismo no gênero siga, alguns sempre voltam ao passado e suas raízes. Como o caso de João Bosco & Vinícius, dupla que recentemente gravou o belo disco “Estrada de Chão”, no qual reúne seus ídolos para gravar as músicas que influenciaram sua carreira. Ou ainda Victor & Leo e Jads & Jadson, que mesmo com a pegada pop dos seus trabalhos, ainda resgatam a cultura da viola e os temas do campo. Talvez não seja o legado idealizado por muitos, mas são pequenos fios de esperança de que a moda caipira ainda tem força para chegar às gerações futuras.

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