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Dez discos essenciais do folk que você precisa conhecer

É Pop!

Estamos celebrando nesta terça-feira, 16, o aniversário de 50 anos da gravação do hit “Like a Rolling Stone”, de Bob Dylan, um dos artistas mais importantes da história da música contemporânea norte-americana. No dia 16 de junho de 1965, o artista se trancava no estúdio A da gravadora Columbia, em Nova York, para imortalizar o hino que marcou gerações de jovens em todos os cantos do mundo.

Considerado o maior nome da música folk norte-americana, Dylan virou alvo de críticas severas de uma parte de seu público quando, um mês depois, apareceu com uma guitarra no palco do Newport Folk Festival. Para alguns, tocar música folk com instrumentos elétricos foi uma grande ofensa ao gênero, cujas raízes estão nas músicas populares cantadas pelos colonizadores europeus nas regiões rurais dos Estados Unidos.

Mudando a história da música folk, Dylan abriu novos caminhos para centenas de artistas que resolveram abraçar a modernidade sem perder a autenticidade própria a este estilo musical. Confira nossa seleção de dez discos essenciais, acústicos e elétricos, para entrar no universo da música folk:

Woody Guthrie – “Dust Bowl Ballads” (1940)

Nascido no estado de Oklahoma, em 1912, Woody Guthrie passou a maior parte da sua vida na estrada, tocando suas músicas de protestos a favor da luta dos excluídos. O cantor acompanhou os migrantes da sua região natal para a Califórnia após o desastre do Dust Bowl, uma tempestade de areia que destruiu milhares de plantações do Midwest na década de 1930. Com suas letras cruas e suas ideias revolucionárias, Guthrie se tornou a voz do povão.

“Dust Bowl Ballads”, gravado em Nova York, em 1940, conta a história dos “Okies”, essas pessoas que perderam tudo e encontraram na estrada para o oeste americano um caminho cheio de obstáculos. Sua influência foi determinante na história da música norte-americana e inspirou artistas como Bruce Springsteen, Joan Baez e Bob Dylan.

Bob Dylan — “Bringing It All Back Home” (1965)

Neste disco, o nativo do estado de Minnesota começa a abordar as suas composições com um lado mais rock e rouba a cena com faixas como a genial “Subterranean Homesick Blues” e “It’s Alright Ma, (I’m Only Bleeding)”. Em 1964, o cantor conheceu pessoalmente os Beatles, o que o convenceu a inserir alguns elementos de rock em suas composições. Essa mudança é perceptível ao longo do álbum, considerado um dos grandes clássicos de Bob Dylan.

O músico gravou seu hit “Mr.Tambourine Man”, popularizado por outra lenda do folk da década de 1960, a mítica banda The Byrds. O álbum chegou ao 31.º lugar no ranking da revista Rolling Stone dos 500 melhores discos da história, publicado em 2004.

Nick Drake – “Pink Moon” (1972)

O terceiro disco do músico britânico Nick Drake foi gravado em duas sessões de duas horas que aconteceram durante as madrugadas do mês de outubro de 1971. Neste disco, Nick Drake leva o ouvinte para um date intimista de 28 minutos. Ao contrário de seus dois discos anteriores, o britânico nascido na antiga Birmânia, abandonou seus músicos e tocou as 11 canções do álbum sozinho.

Da forma mais simples que há, o artista acompanha sua voz leve no violão ou no piano, como na faixa que dá nome ao disco. O álbum foi reeditado em várias ocasiões e ganhou dez estrelas na sua crítica pelo site Pitchfork, considerado um dos mais severos da internet.

Crosby, Stills, Nash & Young – “Déjà Vu” (1970)

A superbanda formada pelo britânico Graham Nash (The Hollies), David Crosby (The Byrds) e o talentoso guitarrista Stephen Stills (Buffalo Springfield), com a participação de Neil Young, lançou seu “Déja Vu” em 1970, e rapidamente se tornou a trilha sonora do movimento hippie nos campi das faculdades norte-americanas.

As gravações, que começaram em 1969, ocorreram em dois meses e, segundo Nash, a banda passou mais de 800 horas no estúdio. “Helpless”, de Young, e o mítico blues “Almost Cut My Hair” são os destaques do álbum, que também conta com a genial “Woodstock”, escrita pela cantora de folk Joni Mitchell. Simplesmente um grande clássico!

Donovan – “Sunshine Superman” (1966)

Gravado no mítico estúdio Abbey Road, de Londres, “Sunshine Superman”, do músico escocês Donovan, mistura música folk com rock psicodélico. O disco conta com a música homônima que se tornou um grande sucesso após seu lançamento nos Estados Unidos, onde o single chegou ao primeiro lugar das paradas de sucesso.

Outro destaque do disco é “Sunshine of the Witch”, uma viagem psicodélica de cinco minutos com Jimmy Page na guitarra. O inglês de 22 anos na época trabalhava como músico de estúdio antes de formar a banda Led Zeppelin em 1968. O disco influenciou inúmeras bandas, como os americanos do The Brian Jonestown Massacre e Davendra Banhart.

Joni Mitchell – “Blue” (1971)

O quarto disco de Joni Mitchell, lançado em 1971, é considerado o melhor da artista canadense. O álbum é uma delícia de folk com acentos de pop, cheio de músicas que grudam na cabeça. A cantora gravou o álbum em Los Angeles, após terminar um relacionamento intenso com o músico norte-americano James Taylor.

Segundo a revista musical britânica Q, “Blue” é o 8.º melhor disco de todos os tempos gravado por uma artista feminina. “No álbum, não há nenhuma nota desonesta no vocal. Na época, eu estava sem defesa nenhuma”, confessou Mitchell, em uma entrevista à revista Rolling Stone, publicada em 1979.

Van Morrison – “Astral Weeks” (1968)

Em 1968, o cantor norte-irlandês da banda Them decidiu se afastar do rhythm n’ blues e gravou as oito faixas de “Astral Weeks” no Century Sound Studios, de Nova York, sob a direção do produtor Lewis Merenstein. No disco, o baterista Connie Kay, famoso por sua colaboração com Miles Davis, traz uma pegada de jazz à música do ex-líder do Them.

Apesar das vendas fracas após seu lançamento pela Warner Bros., em novembro de 1968, o disco se tornou uma obra-prima da música folk e conquistou um público importante. O álbum era um dos preferidos do mítico critico de rock Lester Bangs, que o elogiou em um texto intitulado “Stranded”, publicado mais de dez anos após seu lançamento.

Townes Van Zandt – “Townes Van Zandt” (1969)

Escuro e cru, o terceiro álbum de Townes Van Zandt leva o ouvinte pelo universo obscuro do artista texano. Considerado uma das figuras mais marcantes da música folk norte-americana, Townes Van Zandt canta sobre a vida de marginal. Obcecado pela morte, o artista se tornou um grande consumidor de drogas e álcool, dois temas que dominam suas letras potentes.

Influenciado pelo blues do delta do Mississippi, o talento de Van Zandt transpira em canções como “Lungs” ou a fabulosa “Waiting Round to Die”. O poeta faleceu em 1997, após anos de vícios.

Cat Stevens – “Tea for the Tillerman” (1970)

O melhor disco de Cat Stevens foi lançado em 1970 e tem os maiores hits do cantor: a maravilhosa balada “Wild World” e “Sad Lisa”, que contribuíram à fama internacional do artista. Gravado em Londres, o disco recebeu opiniões mistas pela imprensa inglesa, que o criticou por seu lado pop e acessível.

É justamente por sua simplicidade que “Tea for the Tillerman” entra no nosso ranking das obras essenciais da música folk.

Terry Reid – “Seed of Memory” (1976)

A lenda diz que Terry Reid haveria recusado um convite para ser o frontman do Led Zeppelin na segunda metade da década de 1960. Figura dos bastidores da cena Swinging London, Terry Reid revela todo seu talento com “Seed of Memory”, seu melhor disco, produzido por Graham Nash.

Lançado em 1976, o álbum é cheio de pérolas de folk rock, como “Faith to Arise” ou “To Be Treated Rite”. Algumas canções do disco foram usadas pelo músico e cineasta Rob Zombie no seu filme de terror “Rejeitados pelo Diabo”, de 2005. Quem gosta de Neil Young e de folk rock deve se apaixonar pela música do britânico.

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